Ciclone causa estragos no Sul, deixa 1 morto e coloca Sudeste em alerta

Por Administrador 09 de agosto de 2026 Brasil 4 min de leitura
Ciclone causa estragos no Sul, deixa 1 morto e coloca Sudeste em alerta
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A passagem de um ciclone-bomba, com ventos acima de 134 km/h, causou estragos no Sul do país, deixando um homem morto e milhares sem energia elétrica desde a tarde desta quinta-feira (6).No total, 2.306 pessoas estão desalojadas no Rio Grande do Sul, sendo a maior parte em Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapiranga, Nova Hartz, Portão e Eldorado do Sul, segundo balanço da Defesa Civil.Os fortes ventos foram notados também no Sudeste, principalmente na região litorânea.

Aulas foram suspensas no litoral paulista e no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (7), e a região ficou em alerta, mas não registrou estragos de grande impacto.O ciclone-bomba se forma no encontro de duas massas de ar com temperaturas diferentes: uma fria e outra muito quente. Assim, há uma queda rápida na pressão atmosférica, causando fortes rajadas de vento e chuvas intensas, explicam especialistas.Segundo a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, mais de cem municípios reportaram estragos causados pelos ventos no estado.

Na manhã desta sexta, cerca de 294 mil endereços ficaram sem energia elétrica, segundo painel da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Às 19h, o número estava em 164 mil.Os ventos chegaram a 134 km/h em General Câmara. Em Montenegro, um motociclista morreu ao ser atingido por uma árvore que caiu durante a tempestade. A Defesa Civil não divulgou a identidade dele.Houve o registro de cinco feridos: três em Dom Feliciano, após o destelhamento de um pavilhão; um em Novo Hamburgo; e um em Osório.No final da tarde de quinta, um tornado atingiu o município de Pedro Osório. Segundo a Defesa Civil, o fenômeno provocou destelhamentos na localidade de Matarazzo.

O fenômeno no Rio Grande do Sul ocorreu associado a uma supercélula, tempestade caracterizada pela presença de uma corrente de ar rotativa, o que potencializou a força dos ventos.A capital Porto Alegre foi atingida pelo temporal a partir da noite de quinta. Ao menos 32 imóveis foram destelhados, houve dois desabamentos e queda de sete árvores, segundo balanço da prefeitura.A maior rajada de vento registrada na capital gaúcha foi de 120,4 km/h, na estação do aeroporto Salgado Filho, conforme a Defesa Civil.

Segundo a Prefeitura de Porto Alegre, o temporal provocou a falta de energia elétrica na ETA (Estação de Tratamento de Água) São João e em 12 estações de bombeamento, o que poderia ocasionar falta de água em 45 bairros da cidade.Em Pelotas (RS), os ventos alcançaram os 90 km/h, causando o destelhamento de 200 imóveis, além de queda de energia e falta de água, segundo a Defesa Civil municipal. Parte do muro do presídio regional caiu durante o temporal.Choveu 30 mm em pouco minutos. Muitas árvores caíram.

As zonas com mais registros de danos foram Fragata, Guabiroba, Bom Jesus e Dunas.A prefeitura afirmou que está sendo feito levantamento de todas as ocorrências, e os prejuízos estão sendo contabilizados, para definir se será publicado decreto de emergência ou calamidade.FENÔMENO RECORRENTE NO SULApesar dos impactos, ciclones extratropicais não são excepcionais no Sul. O meteorologista Willians Bini, da Metos Brasil, explica que esses centros de baixa pressão ocorrem todos os anos e são mais frequentes nesta época.“Ciclones são algo muito comum.

O que muda e acaba trazendo um impacto muito grande é o seu posicionamento, onde ele se forma e para onde se desloca, e a sua intensidade”, afirma.A meteorologista e consultora Andrea Ramos explica que o ciclone-bomba é um ciclone extratropical que passa por uma intensificação muito rápida, processo denominado ciclogênese explosiva. A classificação considera a velocidade da queda da pressão atmosférica, e não apenas a força dos ventos. Quanto maior for a diferença de pressão entre o centro do sistema e as áreas ao redor, maior pode ser a velocidade dos ventos.

Ramos diz que rajadas acima de 100 km/h podem ocorrer longe do centro do ciclone e dependem também do contraste de temperatura, da corrente de jato, da umidade e da trajetória do sistema.As mudanças climáticas alteram o ambiente em que esses fenômenos se desenvolvem. Oceanos e atmosfera mais quentes disponibilizam mais calor e umidade. “A liberação de calor latente pode contribuir para o aprofundamento de determinados ciclones”, afirma Ramos.A sequência de episódios severos nas últimas semanas, entretanto, não significa que ciclones-bomba estejam se tornando mais frequentes no Brasil.Outro fator a ser levado em consideração é o El Niño.