Ativista da causa animal de Paraipaba abandona a causa para se promover politicamente

Causa animal vira centro de disputa política em Paraipaba
Projeto Arca da Emy, criado para atender animais em situação de rua, estaria com atividades paralisadas; ativista também passou de aliada a crítica do grupo político que administra o município
A atuação política e a trajetória de Emy Cardys, fundadora do projeto Arca da Emy, passaram a ser alvo de questionamentos em Paraipaba. Pessoas ligadas à proteção animal no Ceará levantam dúvidas sobre a paralisação das atividades do projeto e sobre a mudança de posicionamento político da ativista.
A Arca da Emy surgiu com a proposta de acolher e auxiliar animais em situação de rua, com ações de abrigo e distribuição de alimentação. Entretanto, segundo relatos de moradores e pessoas que acompanhavam o trabalho, parte dessas atividades teria sido interrompida.
Entre os relatos está a desativação de pontos de abrigo e a interrupção de um programa de distribuição de ração que, de acordo com os moradores ouvidos, chegava a ocorrer duas vezes por dia.
Da proximidade com o governo à oposição
A trajetória política de Emy também passou a chamar atenção. Segundo informações de bastidores, ela teria apoiado a reeleição da prefeita Ariana Aquino e mantinha proximidade com o grupo político que administra o município.
Posteriormente, porém, Emy passou a fazer críticas mais duras à gestão municipal e assumiu uma postura de oposição.
Uma das versões que circulam nos bastidores da política local aponta que a mudança teria ocorrido após uma suposta expectativa de participação no governo municipal. Emy teria demonstrado interesse em ocupar a Secretaria de Turismo, mas o pedido não teria sido atendido.
A informação, entretanto, não foi confirmada oficialmente pela Prefeitura de Paraipaba nem pela própria Emy.
Política e causa animal
É justamente nesse ponto que surgem as principais críticas de protetores de animais. Para os críticos, a preocupação é que uma pauta de grande apelo social, como a proteção dos animais abandonados, possa ter sido utilizada como instrumento de projeção política.
A questão levantada é simples: o que aconteceu com a Arca da Emy e com os animais que dependiam das ações do projeto?
A participação de defensores da causa animal na política é legítima e pode, inclusive, contribuir para a criação de políticas públicas permanentes. O problema apontado pelos críticos é quando projetos sociais ficam vinculados à atuação individual de seus idealizadores e deixam de funcionar sem que haja uma alternativa para garantir a continuidade do atendimento.
E agora?
A paralisação das atividades da Arca da Emy coloca novamente em discussão um problema antigo de Paraipaba: a quantidade de animais abandonados e a necessidade de políticas públicas permanentes para castração, acolhimento, tratamento e adoção.
Mais do que uma disputa entre situação e oposição, a discussão envolve vidas que não têm voz.
A reportagem procurou informações sobre a atual situação do projeto e considera fundamental que Emy Cardys esclareça publicamente os motivos que levaram à interrupção das atividades, além de explicar sua atual atuação política e os relatos sobre uma possível participação no governo municipal.
Emy Cardys tem espaço para apresentar sua versão e contestar qualquer informação publicada nesta reportagem.
No fim, fica a pergunta que interessa à população: a causa animal continuará sendo uma prioridade, independentemente de quem esteja no poder?